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Aos 63 anos, morre o neurocientista Ben Barres

26/01/2018

Clarice Cudischevitch

O trabalho do pesquisador norte-americano foi importante para identificar o papel crucial das células gliais, que é uma das linhas de estudo de membros do INNT.

Ben Barres

Morreu no final de dezembro, aos 63 anos, o aclamado neurocientista da Universidade de Stanford Ben Barres. Ele foi responsável por fazer importantes descobertas sobre o papel das células gliais, que são a maioria das células cerebrais, mas são são células nervosas.

As células gliais são objeto de estudo de diversos pesquisadores do INNT, como Vivaldo Moura Neto, do Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer, e Flavia Lima, da UFRJ. As glias preenchem os espaços no cérebro entre um neurônio e outro. Além de nutri-lo, elas podem transformar-se em neurônios, por terem propriedades de células-tronco. Essas células têm papel de interação com as demais células do sistema nervoso e outras associadas, como as do sangue.

“Ben foi pioneiro na ideia de que a glia desempenha um papel central na escultura do diagrama de fiação do nosso cérebro e é parte integrante da manutenção da função do circuito ao longo de nossas vidas”, comentou o professor de neurobiologia Thomas Clandinin ao site da Universidade de Stanford. “As pessoas pensavam que a glia era mero participante passivo na manutenção da função neural. O trabalho de Ben e de seus estagiários transformou completamente este ponto de vista.”

Professor de neurobiologia, biologia do desenvolvimento e neurologia, Barres era tido como um cientista apaixonado, cujo rigor metódico combinava com sua energia e entusiasmo. Dedicava-se a suas atividades acadêmicas e a seus estagiários, que defendia com fervor. Era militante da causa da presença de mais mulheres na ciência. Em 1997, Barres passou por uma cirurgia de readequação sexual e, em 2013, tornou-se o primeiro cientista abertamente transexual a ser membro da Academia de Ciências dos Estados Unidos.

“Ben era uma pessoa notável. Ele será lembrado como um cientista brilhante que transformou nossa compreensão das células gliais e como um defensor incansável que promoveu a equidade e a diversidade em cada sentido”, disse Marc Tessier-Lavigne, presidente da Universidade de Stanford.

Confira abaixo um vídeo de julho de 2017 em que Ben Barres comenta sobre sua paixão pela ciência: