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Convergência é o foco da pós-graduação do INNT

Nova turma de doutorandos deve ser selecionada no início de 2018

24/10/2017

Murilo Lobo Braga

Vivaldo Moura Neto em palestra sobre o PGNET no 4º Encontro Anual do INNT

Ligado a diversas universidades brasileiras de ponta, o Instituto Nacional de Neurociência Translacional não se limita à pesquisa, dedicando-se, também, ao ensino. Nesse contexto, o INNT mantém o Programa de Pós-Graduação em Neurociência Translacional (PGNET), que teve início no primeiro semestre de 2017 com a seleção dos integrantes da primeira turma. Os próximos alunos devem ser selecionados no início de 2018.

O programa teve destaque no 4º Encontro Anual do INNT, que ocorreu na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) no último mês de agosto, com palestra ministrada pelo coordenador Vivaldo Moura Neto. Segundo o pesquisador, a convergência é um dos focos do PGNET. “Queremos formar doutores que conectem a neurociência básica com a saúde e as doenças do sistema nervoso”, frisou.

Moura Neto expôs a saga da criação do PGNET, que teve início em 2011, com aprovação no ano seguinte pela Capes. Apesar de o corpo docente ser reconhecido pela consistência de seus pesquisadores, o curso era novo e obteve nota 5, de um máximo de 7. “Quando se tem nota 6, os recursos chegam direto ao programa. Com nota 5, a verba fica na pró-reitoria e, em tempos magros, talvez nem a pró-reitoria receba o cheque”, disse o coordenador, explicando como a crise econômica pode afetar o PGNET.

Em termos burocráticos, o curso fica centralizado na UFRJ, que seria responsável por assuntos como diplomação, coordenação e administração. Moura Neto questionou esta maneira de organizar o programa, já que há outras instituições envolvidas no PGNET além da federal do Rio. Uma das ideias que surgiram no encontro é a de fazer um rodízio de universidades por quadriênio, período que coincide com o sistema de avaliação da Capes.

Tecnologia

A relação entre as diversas universidades, no âmbito da pós-graduação, será feita com o uso da tecnologia. As disciplinas serão majoritariamente baseadas em encontros virtuais, por teleconferência, com pelo menos um curso presencial de duas semanas — ocasião em que alunos e professores fariam um balanço do programa.

As orientações também aproveitariam o dinamismo do INNT: cada doutorando teria de dois a três orientadores. “A ideia é evitar que o aluno vire um clone do professor”, diz Moura Neto, frisando que diferentes percepções da ciência ajudam a construir o perfil científico do estudante.

Além dos orientadores espalhados pelo Brasil, o PGNET conta com o apoio de docentes estrangeiros. Ao todo, são 24 grupos de países como França, Reino Unido, Canadá e Estados Unidos, que contribuem para a formação de novos doutores em neurociência.