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Obesidade pode prejudicar lactação, diz pesquisa de cientista do INNT

25/11/2017

Murilo Lobo Braga

Condição cada vez mais comum no Brasil, a obesidade é amplamente estudada pela ciência e ligada a diversos problemas de saúde. O tema é frequente nas pesquisas lideradas por José Donato Jr., cientista da Universidade de São Paulo ligado ao INNT.

Em artigo publicado nos scientific reports da revista Nature, Donato registra mais uma consequência da obesidade para a saúde: o excesso de peso das mães pode prejudicar a performance da lactação e a amamentação de seus filhos.

Esta é a conclusão de um experimento em que ratas foram expostas a uma dieta com grande quantidade de gordura e, portanto, levadas à obesidade. Foram, então, observadas consequências como uma dificuldade de sobrevivência da prole (apenas 15% dos filhotes vingaram) e uma redução de 33% em produção de leite.

A hipótese dos pesquisadores para explicar a relação da obesidade com a redução da lactação foi a de que as ratas obesas teriam resistência à prolactina, hormônio que estimula a produção de leite pelas glândulas mamárias. De fato, o experimento mostrou que o tecido das mamas e o hipotálamo (região do cérebro relacionada ao controle de hormônios) dos animais obesos não respondiam à ação da prolactina.

O curioso é que algumas fêmeas reagiram normalmente à prolactina, mesmo obesa. Estas eram deficientes em leptina, hormônio que participa da regulação do apetite. A descoberta sugere que a leptina é um fator essencial para induzir os animais obesos à uma resistência à prolactina.

O estudo sugere, então, que a obesidade está ligada à má regulação do funcionamento da glândula mamária. Além disso, estima-se que altos níveis de leptina podem ser uma possível causa da resistência à prolactina, o que prejudica a amamentação.

Leia o artigo na íntegra (em inglês).