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Quando a ciência encontra Deus

30/11/2017

Clarice Cudischevitch

Células-tronco, origem da vida e outros temas fizeram parte de encontro que reuniu no Vaticano religiosos e cientistas latino-americanos – entre eles o pesquisador do INNT Stevens Rehen. Confira reportagem da Isto É.


Stevens Rehen (INNT/UFRJ/IDOR), Vanderlei Bagnato (UFSCar), Luiz Davidovich (ABC) e Elibio Rech (Embrapa).
Foto: Isto É

A manhã do dia 24 de outubro foi especial para o cientista brasileiro Stevens Rehen. Professor titular do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e diretor de Pesquisa do Instituto D´Or de Pesquisa e Ensino, Stevens está habituado a dar palestras a seus pares no Brasil e no mundo. Mas naquela terça-feira ele iria falar dentro da sala da Pontificia Accademia delle Scienze, a academia de ciências do Vaticano. Sediada na Casina Pio IV, uma bela construção erguida em 1561 para servir de residência de verão ao Papa Pio IV, a instituição é a porta aberta pela Igreja Católica à ciência e suas constatações. É onde a ciência encontra Deus.

Mesmo para um ateu como Stevens, ser convidado a falar de ciência dentro do Vaticano é um momento distinto. Historicamente, a relação entre a comunidade científica e os religiosos foi pautada por divergências, algumas permanentes e, outras, superadas, porém responsáveis por grandes cicatrizes. O caso mais emblemático foi o da condenação do astrônomo italiano Galileu Galilei e sua reabilitação somente séculos depois (leia box). Participar de um encontro no qual o objetivo é ouvir, no caso da Igreja, e ser ouvido, no caso dos pesquisadores, é sem dúvida uma ocasião única na carreira de qualquer pesquisador. “Fiquei surpreso. Nunca me imaginei falando no Vaticano”, diz. “Foi uma experiência curiosa.”

O cientista foi convidado a falar sobre seu trabalho mostrando como o vírus zika afeta células precursoras do sistema nervoso. A pesquisa, que teve a participação da UFRJ, do Instituto D´Or e da Unicamp (SP), foi publicada na Science, uma das mais respeitadas revistas científicas do mundo. Para chegar a essa conclusão, o grupo usou células-tronco pluripotentes induzidas, estruturas obtidas por meio da reprogramação de células adultas, retiradas da pele, por exemplo, e manipuladas geneticamente de forma a chegarem a um estado semelhante ao de uma célula embrionária (ainda sem especialização). Além dele, mais três brasileiros falaram durante o encontro, que durou dois dias: o físico Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências, o também físico Vanderlei Bagnato, da Universidade Federal de São Carlos, e o engenheiro agrônomo Elibio Rech, da Embrapa.

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